Monday, March 31, 2014

31 de Março – 2: De como o mensalão, os aloprados e o assalto à Petrobras nasceram com Marighella, Lamarca e afins…

Getúlio: o ditador fascistoide amado pelas esquerdas
Getúlio: o ditador fascistoide amado pelas esquerdas
Na minha coluna de sexta, na Folha, escrevi um texto sobre 1964, que reproduzirei abaixo, na íntegra, o que nunca faço aqui. Impressiona-me a incapacidade de alguns grupos de ler o que está escrito, preferindo o que não está.
O texto tem, sim, uma tese: sustento que toda essa discurseira sobre o golpe militar de 1964 busca se apropriar do passado para garantir posições e conquistas do presente. E me ocorreu, então, indagar se o país fez o mesmo com o Estado Novo, por exemplo, a ditadura de Getúlio Vargas, que foi mais brutal, discricionária e assassina do que a militar.
Não faço uma “comparação de ditaduras” para escolher a melhor. É preciso ser burro ou canalha para fazer essa leitura. Tampouco sugiro que a ditadura militar foi bolinho, tranquila, nada disso! Lembro é outra coisa: em 1987, em vez de ficar reciclando os ódios de 1937, o Brasil estava fazendo a sua Constituinte, ora! Em 1995, em vez cuidar dos 50 anos do fim do Estado Novo, estávamos empenhados em garantir o futuro do Plano Real.
E deixei claro: estou preocupado é com o país daqui a 50 anos, com 2064, não com 1964. Segue o texto na íntegra.
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1964 já era! Viva 2064!
1964 já era! Tenho saudade é de 2064! Os historiadores podem e devem se interessar pelos eventos de há 50 anos, mas só oportunistas querem encruar a história, vivendo-a como revanche. Enfara-me a arqueologia vigarista. Trata-se de uma farsa política, intelectual e jurídica, que busca arrancar do mundo dos mortos vantagens objetivas no mundo dos vivos.
A semente do mensalão está nos delírios do Araguaia. O dossiê dos aloprados foi forjado pela turma que roubou o “Cofre do Adhemar”. Os assaltos à Petrobras foram planejados pelas homicidas VAR-Palmares, de Dilma, e ALN, de Marighella. A privatização do passado garante, em suma, lugares de poder no presente e no futuro. Os farsantes apelam à mitologia para reivindicar o exclusivismo moral que justifica seus crimes de hoje. Ladrões se ancoram na gesta da libertação dos oprimidos. Uma solene banana para eles, com seus punhos cerrados e seus bolsos cheios!
Quem falava em nome dos valores democráticos em 1964? Os que rasgaram de vez a Constituição ou os que a rasgavam um pouco por dia? Exibam um texto, um só, das esquerdas de então que defendesse a democracia como um valor em si. Uma musiquinha do CPC da UNE para ilustrar: “Ah, ah, democracia! Que bela fantasia!/ Cadê a democracia se a barriga está vazia?” Para bom entendedor, uma oração subordinada basta. A resposta matou mais de 100 milhões só de… fome!
Nota desnecessária em tempos menos broncos: respeito a disposição dos que querem encontrar seus mortos. Eu não desistiria enquanto forças tivesse. Mas não lhes concedo a legitimidade, menos ainda a alguns prosélitos disfarçados de juristas, para violar as regras do estado de direito. A anistia, por exemplo, não está consignada apenas na Lei 6.683. O perdão — não o esquecimento — é também o pressuposto da Emenda Constitucional nº 26 (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-revisao-da-anistia-todas-as-leis-que-sete-procuradores-tem-a-ousadia-de-querer-ignorar-%E2%80%94-alem-claro-de-tentar-chutar-o-traseiro-do-supremo/), de 1985, que convocou a Assembleia Nacional Constituinte. Vamos declarar sem efeito o texto que nos deu a nova Constituição? A pressão em favor da revogação da anistia e a conversão da Comissão da Verdade — se estatal, ela é necessariamente mentirosa — num tribunal informal da história ignoram os pactos sobre os quais se firmaram a pacificação política do país.
Digam-me: onde estávamos em 1985? Revivendo a repressão de 1935, que se seguiu à “Intentona Comunista”? E em 1987? Maldizendo os 50 anos do Estado Novo? E em 1995, celebrando o seu fim? Estado Novo? Eis a ditadura que os “progressistas” apagaram da memória. Um tirano como Getúlio Vargas foi recuperado pelas esquerdas para a galeria dos heróis do anti-imperialismo e serve de marco, segundo os pensadores amadores, para distinguir “demófobos” de “demófilos”.
Ilustro rapidamente. Entre novembro de 1935 e maio de 1937, só no Rio, foram detidas 7.056 pessoas. Todas as garantias individuais estavam suspensas. Dois navios de guerra foram improvisados como presídios. Em 1936, criou-se o Tribunal de Segurança Nacional, que condenou mais de 4 mil pessoas — Monteiro Lobato entre elas. Mais de 10 mil foram processadas. A Constituição de 1937 previa a pena de morte para quem tentasse “subverter por meios violentos a ordem política e social”. Leiam o decreto nº 428, de 1938, para saber como era um julgamento de acusados de crime político. Kim Jong-un ficaria corado. A tortura se generalizou. No assalto ao Palácio da Guanabara, promovido por integralistas em maio de 1938, oito pessoas presas, desarmadas e rendidas foram assassinadas a sangue frio, no jardim, sem julgamento, por Benjamin e Serafim Vargas, respectivamente irmão e sobrinho de Getúlio. No dia 9 de novembro de 1943, a Polícia Especial enfrentou a tiros uma passeata de estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, com duas vítimas fatais. Tudo indica que os mortos e desaparecidos do Estado Novo, sem guerrilha nem ataques terroristas, superaram em muito os do regime militar. Nunca se fez essa contabilidade. Nesse caso, a disputa pelo presente e pelo futuro pedia que se escondessem os cadáveres.
Getúlio virou um divisor de águas ideológicas na história inventada pelos comunistas, oportunistas e palermas e é o pai intelectual de João Goulart, o golpista incompetente deposto em 1964. Antes como agora, “eles” sabem como transformar em heróis seus assassinos. A arqueologia do golpe é um golpe contra o futuro. Viva 2064!
Por Reinaldo Azevedo

31 de Março – 1: Viva a democracia! Nada devemos à esquerda armada além de violência, mortes, sequestros, assaltos e indenizações milionárias. O regime de liberdades é obra dos que fizeram a luta pacífica

Jornal do Brasil ditadura
Oficialmente, o movimento militar que derrubou João Goulart faz hoje 50 anos — o assunto, como sabem, está em todo canto. A quartelada, com amplo apoio civil, se consumou, de verdade, no dia 1º de abril, mas se quis evitar a coincidência com o chamado Dia da Mentira. Hoje, com a tal Comissão da Verdade federal em funcionamento — e algumas outras estaduais ou até corporativas (em universidades, por exemplo) —, prospera a farsa sobre aqueles tempos. A extrema esquerda armada perdeu a batalha porque era minoritária e porque não dispunha de força bélica para enfrentar os militares. Os extremistas, no entanto, venceram a guerra de propaganda, desta feita sem precisar dar um tiro: seus epígonos, isto é, seus seguidores intelectuais, ocuparam a imprensa, o meio universitário, os centros culturais, as escolas, fatias importantes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário para inventar o confronto que nunca existiu.
E qual é o confronto que nunca existiu? Aquele que oporia, de um lado, os defensores da liberdade e, de outro, os que a recusavam. Se, durante o regime militar, vivemos sob a mentira de que o golpe foi desfechado para defender a democracia, hoje, 50 anos depois, vive-se a outra face do engodo, que, no caso, é igualmente trapaceira, mas com o sinal trocado. Comecemos do óbvio: em 1964, João Goulart e os que com ele se alinharam não tinham a democracia como um valor universal e inegociável; tampouco era essa a convicção dos militares e dos organismos civis que lhes deram apoio. O regime de liberdades individuais e públicas morreu de inanição; morreu porque faltou quem estivesse disposto a alimentá-lo. Ao contrário: assistiu-se a uma espécie de corrida rumo ao golpe. Golpista, na prática — e escandalosamente incompetente —, era Jango. Golpistas eram aqueles que o depuseram. Ainda que pudesse haver bem-intencionados em ambos os lados, não foram esses a ditar o rumo dos acontecimentos.
Outras farsas influentes se combinam para fabricar um confronto entre vítimas e algozes que é não menos trapaceiro. Não é verdade, por exemplo, que os atentados terroristas e a luta armada tiveram início depois da decretação do famigerado AI-5, o Ato Institucional que implementou a ditadura de fato no país. Ao contrário até: a muita gente essa medida de força, que deu ao estado poderes absolutos, pareceu até razoável porque a extrema esquerda decidiu intensificar a rotina de ataques terroristas. O AI-5 só foi decretado no dia 13 de dezembro de 1968. A VPR, a Vanguarda Popular Revolucionária, explodiu uma bomba no Consulado Americano, no Conjunto Nacional, em São Paulo, no dia 19 de março daquele ano. Em abril, novas explosões no Estadão e na Bolsa de Valores de São Paulo. Essas são apenas algumas de uma sequência. No dia 18 de julho, o presidente Costa e Silva ainda recebeu uma comissão de estudantes para negociar. Inútil.
O que pretendiam os movimentos de extrema-esquerda? É certo que queriam derrotar o regime militar inaugurado em 1964; mas que fique claro: o seu horizonte não era a democracia. Ao contrário. Como costumo lembrar, não há um só texto produzido pelas esquerdas então que defendessem esse regime. Ao contrário: a convicção dos grupos armados era que os fundamentos da democracia eram apenas um engodo para impedir a libertação do povo. Os extremistas de esquerda também queriam uma ditadura — no caso, comunista.
Cumpre indagar e responder: o regime democrático que temos hoje é um caudatário, um devedor, dos extremistas que recorreram à guerrilha e ao terrorismo? A resposta mais clara, óbvia e evidente é “Não”! Devemos a democracia aos que organizaram a luta pacífica contra a ditadura militar. Qual foi a contribuição da Ação Libertadora Nacional, a ALN, do terrorista Carlos Marighella, à civilidade política? Nenhuma! A eles devemos sequestros e cadáveres. Qual foi a contribuição da VPR, a Vanguarda Popular Revolucionária, do terrorista Carlos Lamarca, à tolerância política? Nenhuma! A eles devemos violência e mortes. Qual foi a contribuição da terrorista VAR-Palmares, de Dilma Rousseff, à pluralidade política? Nenhuma. A eles devemos assaltos, bombas e sequestros.
Mas devemos, sim, a democracia a Paulo Brossard, a Marcos Freire, a Itamar Franco, a Franco Montoro, a Fernando Henrique Cardoso, a Mário Covas, a José Serra, a Alencar Furtado, entre outros. Devemos a democracia até a ex-servidores do regime que resolveram dissentir, como Severo Gomes e Teotônio Vilela. Outros ainda, dentro do aparelho de estado, tiveram papel relevante para trincar o bloco hegemônico que comandava o país, como Petrônio Portella, Aureliano Chaves e Marco Maciel.
História
O ambiente está viciado. Mistificadores e prosélitos, mais ocupados com a guerra ideológica do que com a realidade, atropelam os fatos. Pretendem inventar uma narrativa que justifique tanto as ações doidivanas do passado como certas safadezas do presente (ainda voltarei a este ponto). O que fazer? Se você não quer se deixar levar pela mera discurseira inconsequente, sugiro que leia este livro.
 Ditadura à brasileira
O historiador Marco Antonio Villa escreveu “Ditadura à Brasileira” (LeYa), que tem um emblemático subtítulo: “1964-1985: A democracia golpeada à esquerda e à direita”. Villa vai ao ponto. Cada ano do período constitui um capítulo do livro e evidencia a escalada da radicalização, num confronto em que quase ninguém podia reivindicar o papel do mocinho. Não se trata de “uma outra leitura do golpe”, favorável ao movimento. O que Villa faz, com rigor e competência, é alinhavar, de maneira seca, objetiva, a sequência de eventos, com os seus devidos protagonistas, que levaram à deposição de João Goulart, à instauração da ditadura, à abertura do regime e, finalmente, à democracia.
É claro que o autor tem um ponto de vista — e, no caso, é um ponto de vista que protege o leitor: Villa é um democrata, e isso faz com que veja com olhos críticos — e, pois, independentes — as várias agressões havidas no período aos valores da democracia , tanto à direita como à esquerda. No seu livro não há bandidos e heróis. Há pessoas de carne e osso fazendo coisas: muitas em favor da civilidade política; boa parte delas, em favor da barbárie. O volume traz uma útil cronologia, bibliografia e índices onomástico e remissivo, o que o torna também um bom manual de consulta. É um bom instrumento para se defender de fraudes influentes.
Encerro este post
Nada devemos, rigorosamente nada!, às esquerdas armadas. A coragem é, em si, um valor. Quanto ela é tão suicida como homicida, já não é coragem, mas estupidez, e costuma arrastar outros tantos em sua aventura.

O Brasil precisa de uma nova polícia

Criticadas por seu grau de violência e pela baixa eficácia, instituições formam policiais com vícios da ditadura militar. Governos insistem em soluções pontuais que sucumbem às antigas práticas de corrupção e corporativismo

Policiais durante treinamento da Polícia Militar para conter protestos, no Rio
Policiais durante treinamento da Polícia Militar para conter protestos, no Rio (Yasuyoshi Chiba/AFP)
Quem precisa de polícia? A pergunta carregada de indignação estava entre os muitos e difusos pleitos das manifestações de 2013. A resposta é óbvia, apesar de incômoda para as alas radicais que querem ‘mudar o país’, sem dizer exatamente para onde. A todos – exceto aos bandidos – interessa uma polícia presente, preparada, capaz de servir, intervir e mediar conflitos que a sociedade não conseguiu equacionar por diálogo e consenso. O uso da força, é claro, faz parte desse repertório de ações, mas como recurso extremo.
Não é este o retrato das forças policiais Brasil afora. Tampouco foram os manifestantes os primeiros a reivindicar mudanças nas instituições – particularmente as militares. O relatório de 2014 da organização Human Rights Watch, no capítulo dedicado ao Brasil, cita as 1.890 mortes atribuídas a policiais no ano de 2012 – dado fornecido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Diz o relatório: “As mortes causadas por policiais são resultado do uso legítimo da força, mas uma parte delas não é”. Separados os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, houve naquele ano, respectivamente, 165 e 362 homicídios cometidos por agentes. O documento destaca como exemplo o caso do pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido desde 14 de julho do ano passado na favela da Rocinha, no Rio. Vinte e cinco policiais militares foram denunciados pelos crimes de tortura, assassinato, ocultação do cadáver e obstrução da Justiça.
Há um desencontro histórico entre o que se quer da polícia e o modelo que os governos mantêm nas instituições e na forja de novos policiais. Apesar de graduados em épocas diferentes, são parecidíssimos, em sua formação, os 79 PMs réus pelo massacre de 111 presos do Carandiru, em 1992, e os 25 policiais agora julgados no Rio de Janeiro pela morte de Amarildo. Os agentes do Carandiru foram treinados entre as décadas de 70 e 80; os do Rio, em sua maioria, são egressos de turmas dos anos 2010, dos bancos da academia dedicados a formar a nova polícia concebida pelo secretário de Segurança de Estado, José Mariano Beltrame. Na avaliação de especialistas em segurança pública ouvidos pelo site de VEJA, mudanças pontuais, como as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) ou os programas que trazem pequenas inovações, não são suficientes para entregar à sociedade uma polícia livre de vícios e mais voltada para o serviço ao cidadão do que para a guerra.
Militares – É a PM o alvo maior das denúncias de abusos, corrupção, ineficiência e, até, por sua ausência. Afinal, na divisão de competências estabelecida entre a polícia judiciária e a ostensiva, coube aos homens e mulheres fardados a missão de travar o corpo a corpo com a população, em situações que vão das operações de trânsito à contenção de protestos.
A antropóloga Haydée Caruso, professora da UNB, pesquisou a formação dos praças da Polícia Militar do Rio em trabalho de mestrado entre 2002 e 2004. Constatou que as principais instruções de procedimentos datavam da década de 80. O que havia de “novo” eram manuais criados em 1983 pelo coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira, que comandou a instituição nos anos 80 e é considerado o criador dos postos de policiamento comunitário em favelas do Rio. As disciplinas que dominam os currículos são as de ênfase jurídica e militar.
"As academias de hoje formam profissionais inseguros, que têm pouco conhecimento sobre a realidade da rua e do que a população quer desse policial. Rapidamente os conceitos novos são suprimidos pelo que dita a prática dos veteranos. O treinamento formal, de certa forma, melhorou. Mas não o suficiente para transformar os padrões de comportamento e a relação que o agente estabelece com a população”, afirma Haydée.
A formação dos agentes é um reflexo da forma como foram concebidas as instituições policiais, um problema bem anterior à ditadura militar. As forças que hoje atuam nas cidades nasceram com o intuito de servir à sociedade democrática. “Temos no Brasil uma cultura policial muito arraigada, anterior até à ditadura militar. Nossa estrutura policial foi concebida para finalidades não vinculadas à sociedade democrática, com a polícia que caçava escravos, formada por jagunços e milícias com a finalidade de cumprir interesses que não são os da cidadania, em um tempo de desigualdade social muito grande”, explica o sociólogo Rodrigo Azevedo, professor e pesquisador da PUC-RS, especializado em ciências criminais.
A divisão de competências entre as instituições civis e militares criou no Brasil um padrão que tem, ao mesmo tempo, sobreposições e descontinuidade de competências. É a Polícia Militar que age na rua, aborda o cidadão, prende suspeitos e conduz as “ocorrências”. Mas é a Polícia Civil a encarregada de registrar, encarcerar, indiciar e encaminhar os casos ao Ministério Público e, finalmente, à Justiça. Em resumo, uma força detém os registros, os dados específicos e a documentação sobre a criminalidade; e é outra corporação a encarregada de prevenir o crime, atuar nos locais e momentos em que determinado delito pode ocorrer. Na prática, essa fissura no processo também cria disputa de poder, com os comandos das duas instituições disputando controle, por exemplo, sobre as interceptações telefônicas e sobre posições no Executivo – mais especificamente nas secretarias de Segurança e nos ministérios ligados a essa área.
A fissura nesse procedimento alimenta uma corrente que defende a desmilitarização da polícia. Coordenador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais (Crisp/UFMG), o sociólogo Claudio Beato rejeita medidas abruptas e radicais sobre as PMs. “A desmilitarização saiu das ruas muito desfocada. De fato, temos problemas com o sistema no qual duas polícias trabalham sobre a mesma coisa. A estrutura dupla não funciona. É preciso criar uma polícia que funcione paralelamente às atuais, até uma substituição completa. Seria algo como uma polícia metropolitana”, defende Beato.
A desmilitarização, isoladamente, não é solução, indicam especialistas ouvidos pelo site de VEJA. Afinal, as instituições civis também são corroídas por corrupção, corporativismo e pressões políticas e ideológicas. “A Polícia Civil é cartorial, burocrática, não investiga. O delegado de polícia – um bacharel em Direito – é muito descolado do processo de investigação. Lida com tiras que cumprem processos viciados de uma rotina não necessariamente compatível com que diz essa chefia”, exemplifica Azevedo.
Truculência – De forma geral, as polícias recebem mais críticas por excessos do que por suas omissões. De acordo com Luciane Patrício, superintendente de educação da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, o currículo de formação dos praças da PM foi reformulado em 2012, com mais foco em disciplinas técnicas e conteúdo humanístico. Mas ela reconhece que as boas práticas ensinadas na academia ainda precisam ser respaldadas por uma mudança na "estrutura institucional". "Toda a estrutura institucional precisa caminhar nessa mesma direção. Essa lógica de formação militar está em disputa com uma lógica que defende um policial que preste serviço para a comunidade. Ainda predomina uma doutrina militar, de que existe um inimigo público a ser perseguido. Acredito, porém, numa superação da lógica cidadã, de que a polícia é prestadora de serviço e não para fazer guerra", diz Luciane.
As UPPs ainda são, com todos os defeitos, o programa que mais apresentou resultados no Rio de Janeiro – um local onde o crescimento do tráfico de drogas e das quadrilhas parecia algo impossível de combater. Mas, como alertam os especialistas em segurança, como projeto pontual, as unidades da polícia instaladas em favelas têm limitações. O pedido de ajuda ao governo federal e às Forças Armadas, que possibilitam agora a ocupação do Complexo da Maré, comprova a tese. As UPPs são vitais para que o Estado do Rio não regrida, mas sozinhas não dão conta do problema. Desde a ocupação do Morro Dona Marta, em Botafogo, em 2008, até o estágio atual, o programa se expandiu e abarcou ao todo 37 favelas. Em algumas delas, no entanto, o objetivo de “pacificar” ainda é algo distante, e os PMs tornaram-se alvos de bandidos ou, como a “velha polícia”, carecem de credibilidade.

Multitarefa: você faz milhares de coisas ao mesmo tempo?


multitarefa

Trabalhar, estudar, cuidar da casa, cuidar dos filhos… Quem não exerce mais de uma função social no mundo de hoje? Além de tudo isso, ainda temos de realizar várias coisas ao mesmo tempo tanto em casa como no trabalho. Isso é ser multitarefa e muito provavelmente você se identifica com isso.
Ano passado eu estava exatamente assim. Além de trabalhar aqui na editora, fazia pós-graduação uma vez por semana (tendo de fazer trabalhos e provas), cursava a faculdade de letras (idem), me reunia uma vez por semana com um grupo de adolescentes e ainda dava aula no domingo de manhã na igreja – além de dar atenção a meu marido, fazer tarefas domésticas e cuidar dos meus dois cachorros. Ufa! Cansei só de lembrar! Então chegou um tempo em que meu corpo e minha mente começaram a reclamar, pois não eu tinha tempo para o que era essencial: cuidar de mim mesma e passar tempo com minha família.
multitarefa-descansoFoi então que tomei uma decisão daquelas de ano-novo: diminuir o ritmo. É claro que não foi possível parar tudo, mas voltei a ter tempo de ficar deitada na cama lendo um livro pra mim (digo “pra mim” porque não é livro do trabalho) de vez em quando.
Pois bem, ser multitarefa nos dias atuais talvez seja inevitável, mas ainda é possível organizar as coisas. Abaixo separei cinco dicas que podem ajudar você (como me ajudaram) a viver bem sem deixar de dar conta de tudo.
Pare um instante Quando perceber que está fazendo mais de uma coisa ao mesmo tempo – jantando, vendo TV, on-line no Facebook e ainda conversando com o cônjuge – pare e veja quais são as mais importantes: ao meu ver, jantar e conversar com o cônjuge.
Cuide da sua memória Fazer milhares de coisas ao mesmo tempo pode fazer com que a gente se esqueça das coisas, por isso faça exercícios para a memória (baixe nosso e-books grátis), ou mesmo escreva suas tarefas para não se esquecer de nenhuma.
Não deixe de lado o essencial Cumprir com as obrigações é muito importante, mas jamais deixe de lado o que é importante para você: momentos com a família; diversão com os amigos e, por que não?, aquele descanso – mais que merecido.
Separe um tempo para si mesmo Faça uma pausa e separe um tempo para fazer algo que lhe agrade: desde um simples banho demorado à noite a uma ida ao teatro para ver a peça que você tanto queria.
Foque Estudos apontam que fazer muitas coisas ao mesmo tempo pode ser contraprodutivo, pois o que de fato acontece é que nosso cérebro atenta a uma coisa de cada vez. Por isso, focar em uma tarefa até concluí-la é melhor que ficar “indo e voltando” em várias.


Como era a Dilma que lutou durante a ditadura? Companheiros da época respondem
  • Foto da então estudante Dilma Rousseff quando foi presa durante a ditadura militar
    Foto da então estudante Dilma Rousseff quando foi presa durante a ditadura militar
A presidente Dilma Rousseff foi descrita como tendo sido uma militante "disciplinada e dedicada", além de ter demonstrado "grande capacidade de liderança" durante o período em que integrava os quadros da organização Colina (Comando de Libertação Nacional), grupo que lutou contra a ditadura e que tinha aparelhos (esconderijos) em Belo Horizonte.
A descrição do perfil da então estudante Dilma Rousseff foi apresentada por Jorge Nahas, 67, e por Fernando Pimentel, 63, ex-ministro da pasta de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em entrevistas ao UOL. Ambos participaram ao lado de Dilma na luta contra a ditadura como militantes, entre outras organizações, no Colina. Em 1969, Nahas tinha 23 anos e estudava medicina na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já Pimentel, com 17 anos, era aluno do Colégio Estadual Central, localizado na capital mineira e onde a presidente também estudou.
"Ela sempre foi um quadro destacado, uma pessoa com qualidades, dedicada, muito disciplinada no que fazia, muito diligente e entregue à luta. Ela se aplicava muito nas tarefas", afirmou Nahas.
Por sua vez, Pimentel contou que Dilma "sempre teve grande capacidade de liderança". "Era aplicada, estudiosa e determinada. Sempre demonstrou coragem e inteireza moral na militância e na prisão", escreveu Pimentel em e-mail para a reportagem do UOL.
Nahas disse ter integrado uma célula da Colina idealizada para o embate armado contra as forças de repressão. Já Dilma seria de outra vertente da organização. "Nossa intenção era partir para um enfrentamento armado. Nós advogávamos a resistência armada à ditadura através da guerrilha rural e da guerrilha urbana", disse Nahas. "A ditadura não te dava brecha. Ou você radicalizava ou então se submetia ao regime",completou.
Arte/UOL
Em um período de polarização entre a esquerda e a direita, faça suas escolhas e veja como você passaria pelos 21 anos da ditadura no Brasil
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"Dilma não pegou em armas"

Os dois, no entanto, afirmam que Dilma não pegou em armas. Segundo Jorge Nahas, a então estudante Dilma Rousseff participava de trabalhos denominados de "agitação de massas". "Ela coordenava trabalhos de agitação de massas, como dizíamos na época. Ela tinha trabalho voltados para os movimentos estudantis e operários. Ela também participava de uma imprensa clandestina, nós tínhamos um jornalzinho que era distribuído nas portas das fábricas e entre os estudantes", disse Nahas.
Pimentel relembrou os riscos que ele e a presidente corriam na época. O ex-ministro classificou o período como o "mais pesado" da ditadura. "Como é sabido, aquele foi o período mais pesado da ditadura militar, os chamados "anos de chumbo". Os direitos civis tinham sido extintos com o AI-5 (Ato Institucional nº5) e a tortura, as mortes e os desaparecimentos eram prática constante da repressão política. A militância era arriscada, tensa. Sabíamos desse risco, mas fizemos a opção pelo enfrentamento da ditadura. Aliás, boa parte da juventude brasileira se engajou nessa luta, com graus diferentes de envolvimento", descreveu.
Rayder Bragon/ UOL
Jorge Nahas, 67, ex-integrante do Colina e que foi companheiro de luta de Dilma
Jorge Nahas relembra episódio que culminou com a entrada da presidente na clandestinidade. No início da manhã de 29 de janeiro de 1969, a polícia localizou e estourou um aparelho da Colina localizado no bairro São Geraldo, em Belo Horizonte. Segundo Nahas, houve intenso tiroteio no local. Em decorrência do embate, dois policiais foram mortos.
"Foi uma ação mal conduzida pela polícia. A gente reagiu e dois policiais acabaram sendo mortos. A gente ia ser imediatamente assassinado ali, mas houve uma ação do chefe da diligência que impediu o massacre. Porque seria um massacre, nós já estávamos rendidos", disse ele.
Nahas relembra que o episódio representou o início do périplo de Dilma na clandestinidade. "Ela iria ser presa porque eles já tinham chegado, de alguma maneira, ao nome dela e estavam de vigília no endereço da família dela em Belo Horizonte. Muito espertamente, ela e o marido perceberam e conseguiram burlar essa vigilância e fugiram. A partir desse momento, ela entrou para a clandestinidade", relembrou.
Ele afirmou que o grupo acreditava ter se escondido em um aparelho que dificilmente seria rastreado pela polícia. "Tinham sido presos anteriormente um ou dois companheiros. Nós suspeitávamos que eles já estavam no nosso rastro. A gente tinha três aparelhos e nos concentramos, éramos oito pessoas, no terceiro aparelho, achando que a polícia não chegaria lá", relembrou.
Na véspera, a célula da qual Nahas fazia parte assaltou duas agências bancárias na cidade de Sabará, localizada na região metropolitana de Belo Horizonte.
Leia mais em: http://zip.net/bkmYhk

Nave russa Soyuz se acopla à ISS com dois dias de atraso

Cápsula sofreu falha técnica ao entrar em órbita. Causa que levou ao problema, no entanto, ainda não está clara

Imagem mostra tripulantes da Estação Espacial Internacional após a chegada dos três astronautas transportados pela nave russa Soyuz
Imagem mostra tripulantes da Estação Espacial Internacional após a chegada dos três astronautas transportados pela nave russa Soyuz (NASA TV)
A nave russa Soyuz, que transportava dois astronautas russos e um americano, acoplou-se à Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês) nesta quinta-feira, quase dois dias após o previsto, devido a um problema técnico.
Segundo a agência espacial russa, a cápsula TMA-12M iniciou o processo de aproximação da ISS às 20h53 (horário de Brasília). "A atracação da cápsula na ISS se realizou. Todos os sistemas funcionam normalmente", anunciou a agência.
Esperava-se que os três astronautas transportados pela Soyuz — os russos Aleksandr Skvortsov e Oleg Artemiev e o americano Steven Swanson — chegassem à ISS na manhã desta quarta-feira, apenas seis horas depois de sua decolagem no Cazaquistão. No entanto, a nave russa sofreu um problema técnico ao entrar em órbita e a cápsula foi forçada a se deslocar por um procedimento mais longo do que o previsto.
De acordo com a agência espacial da Rússia, o problema aconteceu com a ignição de um dos propulsores da Soyuz. "A causa do problema ainda não está clara, mas acreditamos tratar-se uma questão matemática a priori", disse o diretor-geral da RKK Energia, que concebe e produz as naves Soyuz. Uma comissão foi criada para determinar a origem da falha.
A tripulação deve cumprir na ISS uma missão de 170 dias, com mais de cem experimentos científicos para Estados Unidos e Rússia.

Estar abaixo do peso eleva risco de vida mais do que obesidade

Segundo nova pesquisa, essa chance pode ser 80% maior entre pessoas com baixo peso, em comparação com as que estão no peso ideal

Balança

Estar abaixo do peso ideal pode ser mais perigoso à saúde do que a obesidade, independentemente de outros fatores de risco, como tabagismo, consumo excessivo de álcool e drogas ou doenças terminais. É o que concluiu uma nova pesquisa do Hospital St. Michael’s, no Canadá, publicada nesta sexta-feira no periódico Journal of Epidemiology and Public Health.
Especialistas calculam se uma pessoa está abaixo ou acima de seu peso ideal a partir do índice de massa corporal (IMC), uma relação entre o peso e a altura de cada paciente. Pessoas com IMC menor do que 18,5 são consideradas como abaixo do peso ideal; com IMC de 25 a 30, com sobrepeso; e com IMC acima de 30, como obesas. O IMC estipulado como adequado é de 18,5 a 25.
No novo estudo, os pesquisadores revisaram 51 pesquisas que associaram o IMC e o risco de morte por qualquer causa. Segundo os resultados, estar abaixo do peso ideal aumentou em 80% o risco de morte em um período de cinco anos, em comparação com estar com o peso adequado. Já a obesidade elevou essa chance em 20% e a obesidade mórbida (IMC maior do que 35), em 30%.
De acordo com o estudo, alguns dos principais fatores associados ao baixo peso são desnutrição, consumo excessivo de álcool ou drogas, tabagismo e problemas de saúde mental. Os autores acreditam que os resultados servem como alerta a pessoas que restringem muito a alimentação ou que se exercitam exageradamente. 
"O foco da nossa sociedade vem sendo em pessoas com sobrepeso ou obesidade. Não há nada de errado nisso, pois se trata de um grande problema de saúde pública. Porém, nesse processo, estamos negligenciando a influência do baixo peso sobre a mortalidade", diz Joel Ray, pesquisador Hospital St. Michael’s e coordenador da pesquisa.




Por que os doleiros sempre escapam

Dificuldade de atacar o patrimônio dos criminosos facilita a repetição de esquemas como os de Alberto Youssef, que foi condenado no caso Banestado e, agora, é suspeito de envolvimento na movimentação ilegal de 10 bilhões de reais

O doleiro Alberto Youssef
O doleiro Alberto Youssef (Folhapress)
Alberto Youssef é um nome conhecido das autoridades brasileiras. O doleiro agora investigado por participar de um esquema de lavagem de 10 bilhões de reais, preso pela Polícia Federal naoperação Lava Jato, deixou suas digitais em outros escândalos, como na movimentação de cerca de 1 bilhão de dólares no caso Banestado, entre outras façanhas. Como é possível que uma figura sabidamente adepta de práticas ilegais e reincidente em crimes mantenha-se em atividade, apesar do avanço dos métodos de rastreamento de transações financeiras? Um facilitador para a ação de doleiros, destaca o juiz federal José Paulo Baltazar Júnior, especializado em lavagem de dinheiro, é a dificuldade de se atacar o patrimônio dos criminosos. Para o magistrado, os envolvidos em crimes do ‘colarinho branco’ apoiam-se na manutenção de seu poder econômico para perpetuar a montagem de esquemas de movimentação clandestina de divisas.
Baltazar defende medidas mais duras que o simples bloqueio de bens durante o andamento do processo. Como a condenação nem sempre traz a punição financeira proporcional aos crimes cometidos, as quadrilhas mantêm sua capacidade de operar, adverte. Youssef foi condenado no caso Banestado, em 2004, a sete anos de reclusão em regime semiaberto e pagamento de multa de cerca de 900.000 reais. Naquela investigação, foi desmontado um esquema ilegal de envio de dólares ao exterior, no maior caso do gênero já descoberto no Brasil. As penas foram consideradas pequenas para os crimes por ele cometidos. O doleiro beneficiou-se da delação premiada, pelo qual forneceu informações à força-tarefa e provas para embasar processos contra outros criminosos. Graças ao acordo, foram suspensos processos contra Youssef desde que ele, de fato, parasse de cometer crimes.
As condições aceitas pelo doleiro, e o envolvimento dele em um novo esquema de lavagem, descoberto pela operação Lava Jato, podem levar à reabertura de antigos processos. A Justiça Federal do Paraná pode determinar a retomada de procedimentos que ainda não tenham caído em prescrição. Na época do Banestado, Youssef chegou a ser preso com um cheque bancário nominal de 150.000 reais ao ex-deputado federal José Janene (PP), já morto. Uma operação de lavagem de dinheiro de Janene foi o estopim para a abertura da investigação da operação Lava Jato, em meados de 2013.
Combate – Uma das formas de fechar o cerco ao patrimônio dos doleiros pode estar em iniciativas como um projeto de lei, de inspiração colombiana, redigido pelo deputado Vieira da Cunha (PDT-RS). A proposta cria a ação civil de extinção de domínio, que permite ao juiz decretar a perda de bens obtidos de origem ilícita, com a realização de leilões para devolver os recursos ao Estado. “Os doleiros são criminosos movidos por dinheiro. Vão continuar cometendo crimes se não quebrarem. Temos que avançar nos efeitos econômicos do crime. Hoje, só é decretada a perda dos bens quando a ação transita em julgado (quando não há mais possibilidade de recurso)”, afirmou Baltazar Junior.
A dificuldade de devolver ao Estado o dinheiro obtido de forma ilegal, somada às possibilidades de recursos e de protelação de sentença no país, faz com que o tempo atue a favor dos criminosos. A lentidão da Justiça brasileira é um dos pontos criticados pelo Grupo de Ação Financeira (Gafi), órgão internacional do qual o Brasil faz parte com outros 35 países comprometidos em lutar contra a lavagem de dinheiro. Para o procurador da república Deltan Dallagnol, que investigou o escândalo Banestado, o sistema recursal é amplo demais. “Nosso processo tem várias falhas. Em muitos casos de ‘colarinho branco’ simplesmente não se consegue punir o criminoso. Quando alguém recorre ao Tribunal Regional Federal, dificilmente demora menos de quatro anos para ser julgado. Também são lentos o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo. No final, sobra uma pena pequena para o condenado”, critica o procurador.
"Youssef era o doleiro dos doleiros, um atacadista. Quem não tinha dinheiro pegava emprestado do Youssef. Surpreende vê-lo envolvido novamente em crimes, porque ele vai perder os benefícios que teve com a delação premiada. Além de ser processado agora, vai ser processado pelos casos anteriores que não prescreveram", diz Dallagnol.
De acordo com o procurador, nas investigações do Banestado foi descoberto que Youssef utilizava até um avião particular para transportar moeda em espécie para operações clandestinas. Desde então, já se sabia do envolvimento do doleiro com políticos e agentes públicos. As investigações da Lava Jato mostraram indícios de que ele teve envolvimento no mensalão, em contratos da Petrobras e do Ministério da Saúde. De acordo com diálogos interceptados pela Polícia Federal, ele teria a receber 12 milhões de reais da construtora Camargo Corrêa. Uma planilha apreendida na operação é considerada um indício de que ele pagava propina em nome da empreiteira. Em diálogo gravado pela polícia, o doleiro chega a reclamar que pagou 7,9 milhões de reais de propina a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras - e ele ainda pedia mais. Youssef também é flagrado fazendo negócios com outros doleiros. Uma das empresas controladas pelo doleiro movimentou 90 milhões de reais de 2009 a 2013. Essa teria sido uma das empresas que pagou comissões ao ex-diretor da Petrobras.
Terrorismo – O principal ponto de crítica internacional ao arcabouço legal brasileiro, quando o assunto é lavagem de dinheiro, é a ausência da tipificação do crime de financiamento ao terrorismo. Esta é atualmente uma exigência do Gafi – e um compromisso assumido pelo Brasil. Para o presidente de Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antônio Gustavo Rodrigues, a falta de uma lei contra o financiamento ao terrorismo pode levar o país a ser mal avaliado internacionalmente.
“O Brasil não cumpriu essa convenção internacional, exigida numa das recomendações do Gafi. Ainda temos esse dever de casa”, diz Rodrigues.
Sistemas de leis, ainda que imperfeitos, não servem para isentar as autoridades policiais e a Justiça de suas atribuições. Os especialistas ouvidos por VEJA afirmam que, apesar das dificuldades – e do desafio de enfrentar um crime que ocorre, muitas vezes, sem provas que permitam comprovar diretamente a culpa dos acusados – o Brasil tem avançado nesse sentido. Faltam estatísticas de condenações para comparação, mas dados do Coaf mostram que 52.812 pessoas físicas ou jurídicas constam como suspeitos de lavar dinheiro em relatórios de inteligência financeira (RIFs) elaborados em 2013, a maior quantidade na história do órgão. Isso não quer dizer que todas tenham cometido crimes, mas foram identificados indícios suficientes de lavagem de dinheiro para justificar a confecção de um relatório e o encaminhamento para as autoridades responsáveis. Foram justamente relatórios do Coaf que identificaram diversas operações clandestinas dos doleiros da operação Lava Jato. O órgão recebe informações de bancos, cartórios e até agências de veículos de transações consideradas atípicas e esse é o principal método de detecção de crimes financeiros no país.
Invisível – A atuação de doleiros costuma ocorrer à margem do sistema financeiro, o que implica naturalmente em dificuldades de documentar provas de lavagem. Mas Youssef e Nelma Kodama, outra doleira presa na semana passada, recorreram a um raro esquema de simulação de importações para dar uma aparência legítima à evasão de divisas. Nelma chegou a utilizar empresas na China, em nome de 'laranjas', mas as operações acabaram descobertas.
Desavenças entre os criminosos também forneceram indícios importantes na Lava Jato. A polícia identificou que Nelma brigou com Youssef e o doleiro Raul Srour. Com expectativa de se vingar, a doleira revelou a interlocutores, em mensagens eletrônicas, diversos crimes atribuídos aos dois. Srour é mais um dos acusados que, por ter desrespeitado acordos de delação premiada do período do caso Banestado, está sujeito à reabertura de processos.

BRT: um sistema de transporte que já nasceu com problemas

O BRT do Rio de Janeiro acumula, desde que foi implementado, uma impressionante sequência de acidentes. Colisões e atropelamentos fazem parte de uma triste rotina e, para especialistas, não faltam razões para isso. Eles alertam que este tipo de modal deve seguir gerando cada vez mais transtornos, principalmente por causa da ausência de planejamento e integração com os outros meios de transporte, da falta de treinamento dos motoristas e do mau hábito dos brasileiros de não respeitarem as sinalizações.
Somente nesta semana, ocorreram dois acidentes envolvendo esse sistema. Na manhã de quinta-feira (25), um caminhão bateu em um ônibus BRT na saída do Túnel da Grota Funda, na Avenida das Américas, na zona oeste do Rio. O caminhão, que transportava papelão, acabou tombando, e 32 passageiros sofreram lesões leves. Já na última segunda-feira (24), três crianças foram atropeladas por um ônibus BRT, na estrada do Mato Alto, também na zona oeste. Érica Macedo dos Santos, de 6 anos, Melyssa Farias Areis e Mariana Ferreira Augusto, ambas com 11 anos morreram, e outros quatro ficaram feridos.
Para Orlando Alves dos Santos Jr., professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR) da UFRJ e pesquisador da Rede Observatório das Metrópoles, não houve uma preocupação no projeto do BRT em oferecer integração com os pedestres e com outros modelos de transporte, como carros e outros ônibus.
“Se analisarmos os acidentes envolvendo BRT, desde o início de sua implementação, veremos que eles ocorreram com modais que compartilham o mesmo espaço público que o BRT. A ausência de planejamento de integração desse modal com os outros acaba gerando acidentes, colisões violentas entre esses veículos, que não estão convivendo de forma pacífica. Vale ressaltar também que a ineficiência desse planejamento quase sempre está atrelada ao fato de não incluírem o veículo a pé na análise, meio de locomoção muito utilizado pelos brasileiros”, explica o pesquisador.
De acordo com uma pesquisa de campo no BRT Alvorada, feita pelo professor da UFRJ, o projeto já nasceu obsoleto. “Eu tive a oportunidade de viajar de BRT e constatei que o sistema não tinha capacidade de acomodar a demanda de passageiros, além de ser mal planejado. O ponto de ônibus, que possibilita a integração do ônibus com BRT, não coincide com a travessia, por isso os pedestres atravessam fora da faixa; os bicicletários não dão vazão para o número de bicicletas, sendo assim, o outro lado da rua também se tornou um bicicletário improvisado; há ausência de segurança, pois as portas do ônibus não se fecham, por causa da superlotação”, contou Orlando dos Santos Jr.
Circulação do BRT Transoeste, que liga Santa Cruz até a Barra, ambos na zona oeste
Circulação do BRT Transoeste, que liga Santa Cruz até a Barra, ambos na zona oeste
Já para o engenheiro de Transportes e Mobilidade da Uerj, Alexandre Rojas, outro fator que pode contribuir para os acidentes, principalmente os atropelamentos, é a diferença deste veículo articulado, ou seja, mais longo, do ônibus rodoviário comum. “Os ônibus mais articulados são usados em trajetos maiores, contudo, ele deve ser dirigido como se fosse uma carreta, pois seu sistema de freios não é igual ao de um ônibus comum. Ele atua primeiro na parte de trás e depois vem em cascata para frente. O tempo de parada dele é mais longo, ou seja, demora mais para frear do que um ônibus comum. Se por acaso alguém atravessar na frente desse ônibus, o motorista pode não conseguir pará-lo totalmente a tempo”, afirma.
Porém, Rojas também cita a falta de obediência dos pedestres e motoristas às leis de trânsito como um fator que contribui para os constantes acidentes. “Os cariocas estão acostumados a atravessar fora da faixa e não esperar o sinal vermelho. Quem obedece, na verdade, é que está errado. Hoje, por exemplo, eu estava na Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema [zona sul do Rio], quando um homem decidiu atravessar sem se importar com o fato do sinal estar livre para os carros. Consequência: um carro foi obrigado a dar uma freada brusca para não atropelá-lo e o homem ainda xingou o motorista”, contou.
Segundo o engenheiro de transportes, o que deveria e pode ser feito para amenizar essa situação são campanhas educativas, a fim de conscientizar a população sobre as leis de trânsito e sua importância. “O governo deveria investir no marketing de trânsito, colocando placas mais chamativas e chamadas de alerta, avisando que naquele trajeto há BRT, já que as convencionais não estão funcionando. Seria interessante também se existissem atividades lúdicas com as crianças para ensiná-las sobre o comportamento do pedestre no trânsito, porque se a criança for educada, ela transmite isso para os pais. Afinal, o código de trânsito prevê uma verba para educação”, argumenta Rojas.
Segundo o professor de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, Paulo Cezar Ribeiro, a ausência de guardas municipais no tráfego, necessário para fiscalizar o comportamento de pedestres e motoristas, facilitaria o fim das constantes infrações no trânsito. “Uma coisa que eu falo há mais de dez anos é que as pessoas não respeitam a sinalização. Se dermos uma volta pela cidade veremos uma quantidade enorme de motoristas infratores, no quesito comportamento, já que não há patrulhamento para fiscalizá-los. Só há radar parar multar por excesso de velocidade”, afirma.
Ribeiro também critica a ausência de um planejamento adequado na infraestrutura do sistema BRT e da integração com outros modais. “Como era o meio de transporte mais barato, rápido e fácil, simplesmente colocaram uma faixa exclusiva na Avenida das Américas para esse modal, construíram uma estação bem simples, e pronto. Não houve planejamento, logo não integrou-se nada”, censurou o especialista.

Atraso dos estádios ameaça transmissão de jogos e cobertura indoor da Copa

Projeto de telefonia exige 150 dias, enquanto Arena da Baixada será liberada a um mês do evento

A expectativa para que todos os estádios da Copa 2014 fiquem prontos a tempo da realização dos jogos é grande. Maior ainda é a esperança de empresas de NBZ telecomunicações, responsáveis pela implantação dBZ e projetos que exigem meses para execução e testes nos estádios. O de Curitiba, a Arena da Baixada, por exemplo, só deve ser liberado para receber essa infraestrutura no dia 15 de maio. A forma como os projetos serão executados vai determinar a qualidade do serviço de telefonia móvel dentro desses espaços, assim como a transmissão dos jogos para torcedores do mundo inteiro. 
A questão da transmissão de imagens dos jogos está a cargo da Telebras, que já está com tudo pronto para entrar no estádio, mas precisa aguardar a entrega e a conclusão de obras no entorno deles. Já a garantia da telefonia móvel dentro de campo, antes emperrada por questões comerciais, agora também só aguardam que os estádios sejam liberados. 
Equipe da Fifa faz vistoria em estádio da Copa do Mundo
Equipe da Fifa faz vistoria em estádio da Copa do Mundo
O projeto de infraestrutura interna de telefonia móvel, de acordo com Eduardo Levy, diretor executivo do SindiTelebrasil, sindicato das empresas de telefonia, costumar exigir entre 120 e 150 dias para ser implantado. Como os estádios de São Paulo e Curitiba ainda não estão prontos, pode acontecer do número total de antenas necessárias nessas arenas, por exemplo, não ser atendido, ou ainda não haver tempo para todos os ajustes e testes necessários. "Os equipamentos estão comprados há muito tempo, desde a Copa das Confederações. Talvez a gente não consiga executar o projeto completo", lamenta Levy.
Até a semana passada, além da questão da entrega dos estádios, ainda havia um impasse entre as prestadoras de serviço de telefonia móvel e alguns estádios, que estariam cobrando preços até cinco vezes superiores ao cobrado pelas administradoras de outros estádios para a instalação de antenas. Esta questão, porém, foi resolvida. As prestadoras de serviço fecharam com as administrações dos estádios do Itaquerão, em São Paulo, e da Arena da Baixada, em Curitiba, o acordo comercial para a implantação da cobertura indoor. Embora as prestadoras tenham iniciado as negociações em maio de 2013, o fechamento só se deu agora. Ainda resta, contudo, solucionar a implantação de wifi em alguns estádios. 
Em outros estádios a situação é mais animadora. A cobertura está em fase de ajustes finais em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. Em Cuiabá, Manaus, Natal e Porto Alegre os acordos comerciais foram fechados e já se iniciou o processo de instalação. Em Natal e Porto Alegre, as administrações dos estádios já solucionaram os problemas nas salas onde os equipamentos serão instalados.
"O que pode ocorrer é que São Paulo e Curitiba não consigam ter o projeto completo. As pessoas poderão ter, principalmente nos horários de maior pico, algumas dificuldades para telefonar, por exemplo. Nós não podemos entrar efetivamente no estádio se ele não estiver pronto. Realmente é preciso que o estádio esteja em boas condições", comentou Levy.
A cobertura indoor, de acordo com o SindiTelebrasil, promete serviços de última geração para ligações de celular, envio de mensagens multimídia e navegação na internet em alta velocidade. A tecnologia é a mesma utilizada nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, e atenderá aos serviços de voz e dados nas tecnologias 2G, 3G e 4G. Para reforçar a capacidade de transmissão de dados para uso gratuito da internet pelos torcedores, as prestadoras propuseram às administrações dos estádios a instalação de rede WiFi. Dos 12 estádios, os de Brasília, Cuiabá, Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador já autorizaram a instalação.
As prestadoras Claro, Oi, Nextel, Tim e Vivo fizeram uma parceria para a implantação de um projeto único, com investimentos e infraestrutura compartilhada. Pelo projeto, os equipamentos das empresas ficam instalados em uma sala e dali parte uma rede de fibras ópticas, que ligará pequenas antenas distribuídas ao longo do estádio para garantir cobertura nas arquibancadas, camarotes, vestiários, corredores, praças de acesso e estacionamentos.
Na Copa das Confederações, as empresas ganharam a liberação para iniciar as obras dois meses antes do evento. Em alguns casos, como o do Mineirão e do Maracanã, os prazos foram menores, de 50 e 47 dias. Mesmo assim, acrescenta, durante as partidas, o tráfego nos estádios foi de 1,7 milhão de ligações de telefonia celular e mais de 4,6 milhões de comunicações de dados, incluindo envio de e-mails, fotos e mensagens multimídia, com tamanho médio de 0,5 MB.
A Telebras, por sua vez, é a empresa responsável pela infraestrutura a ser usada na transmissão televisiva dos jogos. De acordo com a empresa, os estádios que receberam os jogos da Copa das Confederações já estão com tudo resolvido, assim como os 28.7 mil km de linhas de longa distância já foram implantadas. Falta agora conseguir chegar a estádios com obras atrasadas, dentro deles e no entorno - Porto Alegre, Curitiba, Cuiabá, Manaus, e Rio Grande do Norte. Na Copa das Confederações, a empresa teve pouco tempo para implantar o projeto na Arena de Pernambuco, e a fibra implantada chegou a romper 50 vezes. 
O presidente da Telebras, Francisco Ziober Filho, ressaltou o esforço de todo o pessoal da empresa, desde os técnicos que estão na linha de frente da implantação das fibras, até o pessoal que está garantindo a retaguarda na empresa, que trabalha muito para entregar um produto de qualidade internacional em tempo recorde: "Foram utilizados na construção dessa rede equipamentos de última geração, para garantir uma alta qualidade e confiabilidade na transmissão dos vídeos de alta definição. Essa infraestrutura será utilizada depois para levar o Programa Nacional de Banda Larga ao maior número de municípios brasileiros", destaca Ziober.

EUA revisam para 30 número de desaparecidos em deslizamento

O número de desaparecidos tinha sito estimado anteriormente em 90

DARRINGTON, EUA - O número de desaparecidos após um deslizamento de terra, no Estado de Washington, foi reduzido para 30 após parte das vítimas ser localizada com vida, afirmaram autoridades.
Socorristas ainda fazem buscas na lama - GNW/Matthew Sissel/Reuters
GNW/Matthew Sissel/Reuters
Socorristas ainda fazem buscas na lama
O número de desaparecidos tinha sito estimado anteriormente em 90, à medida que as equipes de busca trabalhavam para localizar as pessoas. As equipes utilizaram nas buscas equipamento pesado, cães e as próprias mãos e enfrentaram chuva forte para localizar mais vítimas, um semana após o deslizamento destruir a pequena comunidade de Oso, ao norte de Seattle.
Os trabalhos no local foram paralisados brevemente ontem para um momento de silêncio em honra às vidas perdidas no desastre

Petrobrás é a petroleira global menos rentável

Apesar da facilidade em encontrar e produzir petróleo, estatal perde nas áreas de refino, distribuição e revenda de combustíveis




A Petrobrás é a mais rentável entre as grandes petroleiras no segmento mais crucial e desafiante do setor: encontrar, desenvolver e produzir petróleo. Seus campos são tão fartos que diluem os custos crescentes que têm assombrado petroleiras mundo afora. Mesmo assim, a estatal tem a pior rentabilidade entre as maiores petroleiras do planeta, segundo levantamento global do Credit Suisse.
O motivo é a perda na área que engloba refino, distribuição e revenda - principalmente por causa do controle do preço de combustíveis feito pelo governo para evitar impacto na inflação. Há mais de dois anos a Petrobrás vende diesel e gasolina por preços menores do que os pagos quando importa. A perda com o segmento é tamanha, segundo a equipe de analistas do Credit, que "destrói valor da empresa".
"Os principais problemas da Petrobrás são poucos, mas são muito grandes", diz o analista Vinícius Canheu, autor de estudo de 124 páginas sobre a empresa junto com André Sobreira. Canheu não entra nos problemas políticos ou nas suspeitas de corrupção dentro da companhia e se concentra nos números. Para ele, a defasagem de preços é o maior dos problemas. A estatal, calcula, teria hoje resultado anual US$ 10,2 bilhões mais gordo não fosse a defasagem de preços de combustíveis, vendidos com um desconto de cerca de 20% em relação ao mercado internacional.
Hoje, a Petrobrás vale na Bolsa cerca de R$ 200 bilhões. É menos da metade do pico do valor, de R$ 510 bilhões, em 2008.
Extremos. Trata-se de uma empresa de extremos. É a mais rentável em exploração e produção: o retorno sobre o capital bruto investido fica em 18%, ante uma média de 12% do setor e de 11% de gigantes como Exxon e Shell.
Já em refino, distribuição e revenda é a única do mundo com resultado negativo. O retorno é de -9%, ante média de 3% do setor. A Exxon lidera, com 11%, e a Shell vem atrás, com 9%. No cômputo final, o retorno sobre o capital investido é de 7%, o mais baixo do setor. A Chevron lidera com 12%, enquanto a média do setor é de 9%.
A Petrobrás também é a petroleira que mais investe: cerca de US$ 44 bilhões por ano, ante uma média de US$ 19 bilhões do setor. Em segundo e terceiro lugares vêm Exxon, com US$ 40 bilhões, e Shell, com US$ 38 bilhões nos dados mais recentes referentes a 2012.
Mas quando o parâmetro é a gastança em relação ao tamanho do bolso, a estatal também tem o pior resultado. "A empresa é não apenas a mais alavancada, mas também a que está se alavancando mais rapidamente", diz Canheu.
Enquanto o setor em média economiza 10% do que gera de caixa, segundo o levantamento, a Petrobrás desde 2007 investe mais do que faz de caixa. Para isso, tem tomando dinheiro emprestado, principalmente no exterior, elevando rapidamente o endividamento. Com a alta do dólar, o custo fica ainda mais caro. Os analistas do Credit Suisse lembram que há destruição de valor, pois ela tem de retorno de investimento menos do que gasta para pegar dinheiro emprestado (custo de capital).
Endividamento. A alavancagem da companhia está em 3,5 vezes a dívida líquida sobre geração de caixa (Ebitda), estourando um limite interno estabelecido em 2,5 vezes. Em 2011, por exemplo, estava em 1,66 vez.
O quadro é tão preocupante que o conselho fiscal da Petrobrás recomendou ao conselho de administração, presidido pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, que envide esforços para reduzir a alavancagem. A preocupação era com um rebaixamento da nota de risco da companhia, o que tornaria ainda mais caro para a Petrobrás tomar dinheiro emprestado, disseram os conselheiros em ata de reunião. O rebaixamento acabou vindo na semana passada, na esteira do rebaixamento do rating governo brasileiro.
A situação fez a empresa usar este ano premissas em seu plano de negócios que o mercado considera irreais. A principal delas é o câmbio de referência. Analistas têm considerado baixo demais os R$ 2,23 por dólar que a Petrobrás decidiu este ano adotar nos cálculos.
O Banco Central estima a média do ano para o dólar em R$ 2,45, um valor bem mais alto que elevaria a dívida da empresa.

Second Week of Congressional Hearings Increases Pressure on Trump US President Donald Trump faces the threat of further testimony that ...