Dá um dinheiro aí?
As crianças normalmente já têm uma noção diferente de tudo, e o mesmo acontece com o dinheiro. Quando eu era pequeno, achava que dinheiro não acabava nunca – se não nascia em árvore, saía de uma caixa mágica do banco 
Até que eu cresci um pouco e me tornei um pré-adolescente que vivia pendurado no telefone – com o meu melhor amigo que morava do outro lado da rua – e que vivia esquecendo de apagar a luz dos cômodos por onde passava. Quem nunca ouviu a máxima materna “Você acha que eu sou sócio da Light?” levanta a mão! (Tem também a versão mais agressiva, que eu não vou falar aqui.) A bronca da conta do telefone podia demorar, mas sempre chegava no fim do mês. E tudo isso culminava na questão fundamental da vida: dinheiro.
Por isso, se você não quiser que seus filhos achem que seu dinheiro é infinito ou que acabem contraindo dívidas no futuro (já contei aqui das minhas questões com o cartão de crédito, né?), ensine a eles desde cedo o verdadeiro valor do dinheiro. (Falei bonitPara a “caixa mágica”, o segredo é este: mostre a eles que você tanto deposita quanto saca dinheiro do banco. Seria até bom, talvez, abrir uma conta-corrente; assim, eles podem entender melhor o fluxo financeiro e controlar mais o dinheiro que entra e sai. Por outro lado, se ainda forem crianças demais para isso, uma estratégia é estabelecer metas e lhes ensinar a poupar para atingi-las. Você pode, por exemplo, colar num cofrinho uma etiqueta com um valor a ser utilizado para algo específico. Quando seu filho atingir a meta, separe o dinheiro de modo que ele mesmo vá até a loja e possa pagar pelo item. Mas não vale extrair dinheiro do cofre antes de atingir a meta! Eu lembro a primeira vez que comprei algo com o meu dinheirinho: um gibi da Turma da Mônica. Fiquei tão feliz!
(Hoje quero mais é que paguem tudo para mim hehe)
Próximo ao cofrinho dos seus filhos, coloque outro com a etiqueta “para caridade”. Faça com que os mais novos depositem nele alguns centavos da mesada todas as semanas e os adolescentes doem parte do dinheiro. Eles também precisam ver os pais doando – uma contribuição ou como voluntário a uma causa – para espelharem o exemplo. Ensine que é dando que se recebe. Generosidade é tudo nessa vida.
o, hein!)
Outra estratégia importante é mostrar a diferença entre querer e precisar – principalmente, diga-se, no caso das meninas. Se sua filha quer o vestidinho lindo da vitrine, mas tem dezenas de outros semelhantes esperando por ela no armário, é essencial que saiba essa diferença sempre que tiverem que comprar alguma coisa. Assim, ela pode crescer e se tornar uma mulher decidida e menos gastadeira. Ou não. >.<
A parte mais difícil dos pais que amam e querem dar do bom e do melhor aos filhos é a hora de dizer não. O “não” direto, curto e grosso pode gerar pirraça e, além disso, adquirir o significado de um grande sacrifício. Assim, use uma frase que expresse escolha, como “Que tal ficar em casa este ano para podereconomizar e ter férias especiais ano que vem?” ou “Não é melhor levar a merenda de casa para gastar o dinheiro da lanchonete com coisas mais importantes?”. Em vez de levar um “não” redondo na cara, seus filhos vão aprender que, na vida, todos temos que fazer escolhas. E, infelizmente, elas já começam na infância.
Por último, certifique-se de que eles escutem seus comentários sobre pagar as contas em dia, poupar para fazer aquela desejada viagem de férias, quitar o financiamento do carro ou investir nos estudos deles. Eles vão se sentir responsáveis com o próprio dinheiro e vão aprender a valorizar o seu também. Fica a dica

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