Na última década, o Brasil viu sua imagem internacional emergir no cenário internacional, embalado pelos resultados positivos de sua economia.
Mas o crescimento perdeu fôlego e a divulgação, nesta terça-feira pelo IBGE, de que o PIB teve retração de 0,5% no terceiro trimestre de 2013 - e expansão de 2,2% na comparação com o mesmo período no ano passado - reforça as incertezas. Mas quando o país voltará a crescer de forma vigorosa?
A BBC Brasil conversou com dois economistas, o ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, e o ex-diretor para Assuntos Internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartzman. Para eles, resultados mais vigorosos não devem vir em menos de dois anos.
Em 2012, o Brasil cresceu apenas 0,9%, bem menos que os 7,5% de 2010, percentual que fez o país se tornar uma das vedetes do clube das potências emergentes.
Para ambos economistas, a economia brasileira se viu limitada pela carência de sua própria infraestrutura. Portos, aeroportos, estradas e ferrovias sucateadas se tornaram os vilões do chamado "custo Brasil".O governo atual perdeu muito tempo para transferir alguns setores para a iniciativa privada devido a constrangimentos ideológicos", diz Ricupero, em referência à resistência histórica das bases do PT às privatizações.
"Isso (as privatizações) vai começar a destravar a economia. A curto prazo é a grande única grande alavanca para acelerar o crescimento", diz Ricupero.
Schwartzman chama atenção para a necessidade de reformas, como a tributária e a trabalhista, "mas, mesmo se ocorressem, o que está longe de ser óbvio, seus efeitos demorariam a se materializar", diz, ressaltando a necessidade de investimentos em infraestrutura.
Para engrenar, o Brasil também precisa aumentar a produtividade do trabalhador, diz Schwartzman. E para isso, é necessário melhorar os índices de educação.
"Passa a ser fundamental, portanto, acelerar o crescimento do produto por trabalhador, cujo ritmo parece ser algo em torno de 1 a 1,5% ao ano", diz Schwartzman.
Considerando que o aumento da população em idade ativa tem sido de cerca de 1% ao ano, segundo o economista, "o produto não pode se expandir de forma sustentável mais do que 2 a 2,5% ao ano", considerando a somatória da produtividade do trabalhador e a do crescimento populacional.

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