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Tuesday, October 14, 2014

Por que a nossa infância foi a “melhor”?

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Existe essa palavra que eu gosto muitíssimo, chamada nostalgia e que, por definição simples, é a “saudade de algo que aconteceu no passado” ou do passado como um todo. Em alguns casos ela pode vir acompanhada de certa melancolia, mas não é sobre isso que quero falar.
Para a minha geração (sou de 1988, a quem interessar possa), a febre da nostalgia começou com o e-mail, ou, melhor ainda, com o Power Point. Sim, essa mágica ferramenta do Windows que nos permite criar “belíssimas” apresentações em slide, com efeitos animados, música e muita, mutia cafonice. Onde quero chegar? Pois bem, quero chegar nas primeiras correntes intituladas “brinquedos dos anos 80″ que  começaram a pipocar em nossas caixas de entrada no começo dos anos 2000. Quão fantástica não foi a sensação de revermos em IMAGENS aquele boneco do Fofão ou da Moranguinho, as molas coloridas que desciam escadas Ataris&Mega Drives&Sega Saturnos&Super Nintendos, ioiôs da Coca-Cola e o não tão idoso assim, Tamagotchi? Haja coração.
Depois, vieram as listas, como esta maravilhosa produzida pelo site BuzzFeed e intitulada: 44 pequenas tragédias que só quem viveu no Brasil nos anos 80 vai entender. Atenção para alguns tópicos (eu nem vivi nos anos 80 e morri de rir):
5. A fita do Atari não funcionava nem depois de você assoprar.
10. Você perdia a chave do diário.
11. Ou a folha com a tradução do código secreto que você tinha tido o maior trabalho para criar.
12. Seu irmão bebia o líquido das Mini Cokes.
13. E alguém dizia que o filho do amigo do tio do vizinho tinha morrido depois de beber o líquido das Mini Cokes.
25. Você arranhava com todo cuidado, mas quando levantava o papel via que o decalque Ploc Monsters tinha saído sem uma perninha.
Tanto os slides quanto as listas são, além de resgates da memória afetiva, tentativas de mostrar que a nostalgia que sentimos da infância é impossível de evitar. Em pouco tempo teremos pipocando em nossas timelines as listas produzidas pelas crianças de hoje que, saudosas, evocarão a imagem de Justin Biebers e afins (na minha lista, entram os Backstreet Boys, Spice Girls e a Britney Spears), dirão coisas “lembra como A hora da aventura era o melhor desenho do mundo?” (Caverna do Dragão forever <3 10="" 80="" ainda="" anos="" artigos="" as="" assim="" ben="" bonecos="" caixinhas="" como="" compartilhar="" de="" do="" dos="" e="" em="" esfarelam="" imagens="" mas="" n="" o="" p="" papel="" pl="" que="" se="" stico="" suas="" ter="" tornado="" vintage="">
infancia-blog-selecoes-2E por que é tão importante para nós revivermos a infância? Segundo o psicólogo americano Kevin Leman, autor do livro O Que as Lembranças de Infância Revelam Sobre Você (Ed. Mundo Cristão), os registros que ficam dos nossos primeiros anos de vida influenciam a pessoa que nos tornamos e são essenciais para desvendar nosso verdadeiro eu e para cultivar relações mais saudáveis. Segundo Leman, essas memórias “permitem enxergar por trás de todas as fachadas e defesas, chegando ao fundo daquilo que a pessoa realmente é e não quem ela está tentando ser”.
É claro que a nossa infância sempre parecerá melhor do que a que vivem as crianças de hoje. A nostalgia funciona como uma espécie de verniz sobre aquilo que vivemos, fazendo com que as experiências do passado quase sempre sejam vistas apenas pelo lado positivo. Ninguém se lembra de como eram frágeis os brinquedos, do quanto era difícil encontrá-los nas lojas ou de como haviam poucas opções de diversão para crianças nos anos 80. Os problemas na escola desaparecem, a chatice dos pais torna-se parte do nosso “ecossistema” de formação moral e social e as coisas que não pudemos fazer, hoje vemos como mera contingência imposta pela época. E é por isso que gostamos tanto da nostalgia: não mudaríamos nada.
Mas a memória cria armadilhas e precisamso estar atentos. Crianças misturam fantasia e realidade e, se quisermos saber se tal memória corresponde ao que foi vivido, a dica é confirmar com quem estava lá. Mãe, pai, tio, amigos; muito embora cada um vá apresentar uma versão leve ou radicalmente diferente do mesmo fato. Cabe a você reunir esses trechos de informação e tirar o saldo. ”Tudo está ligado à lógica particular de cada pessoa”, explica Leman. Ao descobri-la, você então pode alterá-la a seu favor. A compreensão das lembranças da infância, de acordo com o psicólogo, não apenas explicará suas ações e reações no presente, como ajudará a direcionar comportamentos futuros. “Isso vai permitir avaliar, por exemplo, as marcas que seus filhos estarão carregando para a vida adulta, e fará com que você não desconte seus traumas neles”, diz Leman. Não se trata, portanto, de remoer o passado, mas de aprender a se relacionar com ele de maneira saudável, tornando-se uma pessoa mais serena e madura.
Neste dia das Crianças, que tal fazer um tour pelas memórias e transformar o saldo dessa viagem num presente para você? Sim, eu sei que você já é adulto, mas tenho certeza que a criança do passado está em algum lugar aí dentro. É só procurar
Marina Goes

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