Governo turco demite 350 policiais por corrupção
Sem apoio das ruas e pressionado pela investigação da Justiça, Recep Erdogan tenta afastar crise política demitindo policiais e funcionários públicos
O governo turco demitiu 350 policiais, incluindo chefes de departamentos importantes, por causa do escândalo de corrupção que atinge aliados do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, informaram os meios de comunicação locais nesta terça-feira. Apesar das demissões, Erdogan acusa a polícia e o judiciário de uma "trama suja" contra seu governo, informa a BBC. Os oficiais foram demitidos por um decreto governamental publicado à meia-noite. Entre eles, os chefes dos serviços contra os crimes financeiros, de luta contra o contrabando e contra o crime organizado em Ancara, capital administrativa do país, informou a agência de notícias turca Dogan. O decreto também nomeou substitutos para 250 dos policiais demitidos.
O governo turco tenta enfrentar uma investigação sobre a corrupção que ameaça o governo de Erdogan, há quase onze anos no poder. Desde o início das denúncias, em dezembro, além dos policiais demitidos, três ministros renunciaram e outros sete foram afastados.
Após a prisão de filhos de dois ministros acusados de suborno, corrupção e ingerência em projetos públicos, em 20 de dezembro, a população turca foi às ruas para pedir a saída do primeiro-ministro e a formação de um novo governo. Também foram presos o executivo-chefe do banco estatal Halk Bank, Suleyman Aslan, um importante empresário do setor de construção civil e catorze funcionários do governo. Segundo a agência de notícias Dogan, os filhos dos ministros e outros indiciados são suspeitos de aceitarem ou facilitarem propinas.
De acordo com a Justiça turca, estão envolvidos no escândalo os filhos dos ex-ministros da Economia, Zafer Caglayan; do Interior, Muammer Guler; e do Meio Ambiente e Planejamento Urbano, Erdogan Bayraktar. O escândalo eclodiu quando a polícia encontrou 4,5 milhões de dólares escondidos em caixas de sapato na casa do banqueiro Aslan.
Segundo relatos na imprensa local, a investigação é parte de um cabo de guerra entre o premiê Erdogan e o influente clérigo islâmico Fetullah Gulen, que tenta solidificar seu poder antes das eleições marcadas para 30 de março. Gulen defende que o governo dê uma guinada rumo à adoção de simbolismos islâmicos e retóricas religiosas conservadoras. Erdogan tomou algumas dessas medidas, mas paulatinamente foi perdendo apoio da população laica e do Ocidente. Agora, a imprensa turca avalia que o primeiro-ministro está cada vez mais isolado, já que não conta com a aprovação de boa parte da sociedade laica e nem da parcela islâmica mais conservadora.
No comments:
Post a Comment